Casa da Ponte - Arcos de Valdevez

armasHistoriar e fazer um apanhado das origens, usos e costumes desta casa é um trabalho um pouco longo, pois além de já ter muitos anos, os episódios e os acontecimentos lá vividos são muitos, muito variados e de diferentes gerações.
Por aqui passaram muitas e diversas personagens, sobejamente conhecidas, que nela deixaram impressas as suas personalidades.
No seu livro “A Casa Grande de Romarigães”, Aquilino Ribeiro, na pág. 81, afirma “comprometi-me com D. Diogo de Lima, nosso Bisconde, que agora está na Casa da Ponte e me espera”… Este foi um dos visitantes.
Nas suas memórias ou registos é conhecido que “se aquartelou o Marechal Bresfórd, e o general Miller, por várias vezes, com os Oficiais de Estado mayor, e mesmo vários Coronéis, e outros Offeciaes de graduação no tempo da Guerra com a França”.
De muitas outras pessoas se poderia falar, e que se tornaram conhecidas e lembradas, por diversas opções, mas deixamos apenas as citadas anteriormente.

A Casa da Ponte foi começada a construir no último quartel do séc. XVIII, pelo Dr. Agostinho António de Araújo e terminada no princípio do séc. seguinte, pela sua mulher D. Joana Maria de Azevedo Sá Coutinho.
Foi designada por Casa da Ponte, pois junto aos seus terrenos existia uma ponte de madeira que ligava as duas margens do rio. Essa ponte tinha vindo substituir uma outra, feita por barcaças, que assegurava a travessia.

ponte

Mais tarde, e posteriormente à construção da casa, já em 1880, foi feita uma outra ponte, de granito, com quatro arcos, ainda existente e classificada, que veio estragar o aspecto exterior da casa. Foi necessário fazer uma via de acesso à ponte, num plano mais elevado que o existente, e a casa ficou enterrada. Entra-se na casa descendo um degrau. É do conhecimento geral, que “os antigos”, nunca iriam começar a construir uma moradia, abaixo do nível dos caminhos que lhe davam acesso. É bem visível que a casa foi enterrada.

casa1

A fachada é uma viva amostra da arquitectura civil setecentista, crê-se que seja de influência do bracarense André Resende. Está dividida em três corpos, por pilastras.

fachada

A curva do lintel das janelas dá-lhe um requinte próprio. No corpo central existe uma janela sacada encimada pelo brasão da família, esquartelado, que interrompe a cornija fazendo um frontão contracurvado e que lhe imprime maior destaque. Este brasão, autorizado em 27 de Fevereiro de 1800, conforme registo, com o nº. 1748.

A entrada nobre é feita, descendo um degrau, já referido, para um pátio interior, lajeado em granito. Acede-se ao piso nobre por uma escada em dois pisos, também em granito e com um corrimão balaustrado igualmente em cantaria.

patio

No piso nobre, toda a frontaria da casa é ocupada por três salões com tectos em masseira e soalhos de madeira (Sala do piano, sala azul, sala de visitas).

salavisitas

Neste andar existe um oratório-capela cujo orago é Nª. Sª. das Dores. O altar possui uma talha dourada barroca-rococó muito bonita.

altar

s antonioExiste, ainda, além de outras imagens, um Stº. António da Mouria, muito venerado nas redondezas, onde muita gente, vinha trazer as suas oferendas – dinheiro, pavios, velas, bocados de carne de porco, etc. - e rezar a agradecer as graças concedidas.

Sempre foi costume, da casa, permitir que o fizessem junto à imagem.

Existe, também, um voto de 24 de Agosto de 1858, que relata um milagre e uma bênção concedidos aos moradores.

espelhopNesta data, após uns dias de calor insuportável, rebentou uma tremenda trovoada acompanhada de chuva torrencial. As janelas encontravam-se abertas e os donos da casa, Luís Maria Cardoso de Araújo Azevedo e sua mulher D. Mariana Joaquina de Brito Soares (4ºs. avós da actual proprietária) e suas filhas, encontravam-se a rezar na capela. Caiu uma faísca entrando, por uma janela do 2º. Andar, desceu as escadas, foi direita a um dos salões, lambeu o dourado de um espelho que ainda se encontra no mesmo local, e saiu por uma janela indo matar dois homens que se encontravam abrigados da chuva debaixo duma varanda lateral. Vinham da Feira e Festas da Ponte da Barca onde tinham ido comprar gado.

votoA família e pessoal da casa nada sofreu e por isso foi feito um voto-promessa que em todos os aniversários deste acontecimento, os pais e as filhas, enquanto fossem vivos, mandariam celebrar uma Missa de Acção de Graças.

Este voto, transcrito, existe num quadro exposto na capela.

Neste andar existem ainda outras divisões destacando-se a sala de jantar, também com teto em madeira, com dois louceiros embutidos e um lambri ao redor de toda a sala.

salajantar

Contínua a esta sala, num piso um pouco inferior, encontra-se a cozinha, com as paredes em pedra. A cozinha, propriamente dita, o fogão, a lareira, o peal, os fornos e a banca em granito, encontram-se debaixo da chaminé, que foi reconstruída e nela foram utilizados 2.000 tijolos e 100 sacos de cimento (registos da casa). No restante espaço estão os outros elementos necessários numa cozinha.

cozinha

O 2º. Andar é ocupado pelos quartos, neste momento, destinados aos hóspedes. Das suas janelas divisam-se trechos da paisagem da Vila, e é de salientar a belíssima vista, sobre o rio, que se desfruta das janelas da suite – quarto e sala.

vistas

Junto á Casa da Ponte, dentro do seu logradouro, encontra-se a primitiva Casa da Ponte conhecida por Casa do Rio, que após a construção da actual, passou a um segundo plano. Apenas as separa um caminho embora haja ligação interna entre as duas casas. O caminho, que foi público, mas por uma escritura de aforamento, celebrada em 8 de Abril de 1801, entre D. Joana Maria de Azevedo Coutinho e a Câmara Municipal, ficou a pertencer á Casa.

casario

Com acesso ao rio existe um ancoradouro privado e como termo do caminho junto ao rio. Pensa-se que tanto o caminho como o ancoradouro era usado pelas pessoas, quando pretendiam atravessar o rio, por uma ponte de barcaças que se dizia, existir aí. Há um segundo ancoradouro no outro extremo da propriedade.

cais

A Casa possui muitos atractivos e
“ … a um passo de novas descobertas…”
Venha até nós…..

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