Torneio de Arcos de Valdevez

torneio

O episódio teve lugar possivelmente no início de 1140, na chamada "Veiga da Matança", às margens do rio Vez (tributário do rio Lima), em Arcos de Valdevez, quando D. Afonso Henriques, após a vitória na batalha de Ourique (1139), rompeu a paz de Tui (1137) e invadiu a Galiza. Em resposta, as forças de Afonso VII de Leão e Castela entraram em terras portuguesas, arrasando os castelos à sua passagem, descendo as montanhas do Soajo em direção a Valdevez.

Para evitar a batalha campal, foram selecionados os melhores cavaleiros de ambos os lados para lutarem entre si num torneio ou justa, conforme o uso na Idade Média. A sorte das armas pendeu para o lado português, tendo os cavaleiros leoneses ficado detidos, conforme o código da cavalaria medieval.

De acordo com o professor Torquato Sousa Soares, da Universidade de Coimbra, a escaramuça ou "bafordo" da Portela de Vez teve lugar em 1137 e contribuiu para a celebração da paz de Tui, em julho daquele ano.

Outros autores consideram o episódio como o passo decisivo e a última etapa para o nascimento de Portugal, sendo o antecedente da celebração do Tratado de Zamora em 1143. Depois do Torneio de Valdevez, onde saem vencedores os cavaleiros de Afonso Henriques, este aproveita as boas graças da Igreja, e, por intermédio do Arcebispo de Braga, D. João Peculiar, faz que o Papa Inocêncio II aceite a sua vassalagem contra o pagamento de um censo (quantia que os reis pagavam ao Papa) de quatro onças (onça=31gr) de ouro por ano.

O Arcebispo envia o Cardeal Guido de Vico junto de Afonso VII, obtendo deste, no tratado de Samora (Zamora), o título de rei, que D. Afonso Henriques passa a usar, graças ao Torneio de Valdevez, e no papel, de facto e de direito, em 1143.

Na Estação de São Bento, no Porto, encontra-se um painel de azulejos alusivo ao Torneio.

Azulejos

Em Arcos de Valdevez existe um monumento que o recorda, de autoria do escultor José Rodrigues. Igualmente ao pé do Museu de Arcos de Valdevez existe um marco evocativo desse Torneio de Cavaleiros.

Segundo a lenda, nesta batalha foi encontrado uma relíquia sagrada, denominado Santo Lenho, que segundo a fé cristã crê-se que seja um padaço retirado da Cruz onde Cristo foi crucificado. Esta relíquia encontra-se na freguesia de Grade, na Igreja Matriz, num sacrário com duas portas fechado a sete chaves todas elas diferentes. O dia da sua veneração é sempre 40 dias depois da Pascoa, quinta feira da Espiga. Na Aldeia é venerado como Padroeiro das guerras, e nesta freguesia nunca morreu um soldado na guerra.

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